Divagação
Quarta-feira, Setembro 15, 2004
Até breve!
É com muita pena que digo adeus ao meu blog, a uma parte de mim que fui partilhando com desconhecidos que acabaram por se tornar amigos... E já sinto o gosto da saudade agora que sei que esta é a melhor prova de que o passado valeu a pena.
Não imaginam o quanto estou grata a todos os que me leram e comentaram e o quanto me custa estar a deixar tudo isto. Talvez, quem sabe, ainda volte um dia...
O meu mais sincero obrigado e muitos beijinhos! =)
posted by sara 20:33 -
Sábado, Agosto 14, 2004
Carta...
“Sinto cada vez mais que me pertences... Que serás meu até que toda a vida que em mim existe se dissipe levada pelo vento para além do horizonte.
Temo pelo dia em que esta vida que a ti pertence deixe de fazer sentido, pois nesse dia saberei que te perdi.
Os dias passam rápido sem ti a meu lado e vejo a vida a esgueirar-se por entre os meus dedos como pequenos grãos de areia. Agora que estás longe de mim, sei que houve um dia em que estiveste demasiado perto. Como sinto a tua falta...
Cada vez que olho a lua em silêncio relembro como esse silêncio era agradável do teu lado, como o mundo se tornava bonito reflectido nos teus olhos... e dou comigo a perguntar se algum dia me amaste, e choro até por fim adormecer esperando que no dia seguinte as lágrimas tenham por fim secado.
Às vezes quando estou na solidão do meu quarto, deitada sobre a cama onde em tempos te imaginei do meu lado relembro a tua face, a maneira como me aprisionavas no teu olhar de onde eu desejava não mais fugir...Eras tudo para mim... Como pudeste alguma vez duvidar?!
Eu amo-te... Queria odiar-te, por todo o sofrimento que me causaste, por todas as lágrimas que por ti derramei, por teres partido sem um adeus...sem um abraço...sem mim.”
posted by sara 22:56 -
Quarta-feira, Julho 07, 2004
Acompanhada pela solidão...
Só...
Passeio por becos sem saída
De mão dada com a solidão,
Embato na parede que como eu sem vida
Procura um caminho para a libertação...
Fujo...
Para lá do horizonte...
Corro para além da meta sem cair.
Uno os meus mundos com uma ponte
Que atravesso lentamente à espera de a ver ruir.
Rio...
Enquanto choro de dor por não sentir...
Choro por no fundo não ter prazer em sorrir...
Fiquei presa entre os dois mundos
Acompanhada pela solidão
Apago os meus sonhos mais profundos
Com o pouco que resta do meu coração...
P.S- Mais uma vez peço desculpa por não escrever tão frequentemente como fazia, mas ultimamente não tenho tido inspiração. =)
posted by sara 20:22 -
Segunda-feira, Junho 21, 2004
Pertenço-te
Em longos e estrídulos soluços dilacerava a noite desfalecida na escuridão que a prendia.
Ele olhava-me de maneira dócil enquanto por vezes soltava um leve sorriso que me abafava os dolorosos vagidos que possuíam todo o meu corpo.
A sua pele fria contornava o meu rosto suavemente enquanto eu a banhava com aquilo que já não me corria nas veias...
O silêncio era agora profundo, silêncio esse que apenas eu ouvia. Ele continuava ali, a meu lado, sussurrando as palavras que nunca me dissera mas que eu sempre desejara ouvir.
Olhei-o, lutando para afastar as lágrimas que me inundavam o austero olhar adormecido.
Num breve delíquio semicerrei os olhos, acabando por os fechar, tentando em vão guardar a face daquele que me roubara a vida...
Voltei a abrir os olhos desejando voltar à vida, porém deixei de nela pensar ao segurar a lágrima que se esgueirava pelo canto do teu olho. Levei os meus lábios ao encontro dela e por escassos segundos saboreei-a podendo num mero devaneio jurar que era doce.
Abracei-te desejando que fosses para sempre meu, porém a lápide que me afastava de ti não o permitia
Levantei-me lendo o teu nome num murmúrio... Deixo-te em lágrimas a minha alma pois o meu coração à muito que é teu...
posted by sara 19:25 -
Terça-feira, Junho 15, 2004
Fantasma...
Observas-me nas sombras
Que te escondem do meu olhar,
Impiedoso meus sonhos assombras,
Obrigando-me a contigo sonhar.
Esculpi-te numa ilusão,
Tornaste-te o brilho do meu olhar
Ofereci-te o meu coração
Para que vida pudesses ganhar...
Porém sei que não existes,
Que não passas de uma ilusão
Apenas te vejo em sonhos
Durante esta minha divagação...
posted by sara 22:57 -
Segunda-feira, Junho 07, 2004
O som do silêncio...
Escuto o que não ouço,
Desejando não mais escutar
Os vagidos dilacerantes
Que insistem em me atormentar.
Abafo-os debaixo do silêncio
Que os cobre devagar
Apagando deles o som
Que da morte me fez acordar...
Vivo na luz da noite
Que canta adormecida
A canção q’ao silêncio pertence
E onde nela me vejo perdida...
Cega na luz,
Vejo na escuridão,
O silêncio que se esconde
Na placidez do seu som...
Porém esse som desapareceu
O seu silêncio o apagou
A canção dele morreu
E a noite sem voz ficou...
P.S- Embora as provas globais ainda não tenham terminado, as saudades eram tantas que não resisti a escrever. Agradeço imenso os comentários anteriores e os mails que me enviaram. Prometo que assim que puder os retribuirei. Beijos!
posted by sara 22:09 -
Quarta-feira, Maio 05, 2004
Até breve...
É com muita pena que pela primeira vez não escrevo com a vontade habitual, pois pela primeira vez escrevo algo que realmente não me agrada...
Peço desculpa a todos aqueles que me visitam e que comentam os meus textos assiduamente por não ter ido aos vossos blogs com a frequência que gostaria.
Como o tempo não me permite conciliar todas as minhas actividades com o blog achei por bem dar um tempo... Prometo que assim que puder continuarei a escrever e a ler-vos!
Obrigado! Beijos =)
posted by sara 20:13 -
Quarta-feira, Abril 28, 2004
Ilusão...
Em busca de ti
Vasculho na esperança.
Porém não te vi...
Deixei de ser criança.
Em frente uma escada
Do nada apareceu,
Olho tentada
O topo que ao longe s’ergueu.
Avanço para a escada
Tentando em vão subir,
Porém não subo nada,
Mesmo em pé me sinto cair...
Por mais degraus que suba
O topo inalcançável é...
Cansada desisto
Pois a força perdi assim como a fé.
A liberdade
Não passa de uma ilusão...
Por mais que dela te aproximes
Nunca lhe porás a mão...
posted by sara 21:54 -
Terça-feira, Abril 20, 2004
Um reflexo também faz falta...
Hoje quando olhei para o espelho não me vi lá...o meu reflexo desapareceu, e eu juntamente com ele. Indiferente não o procurei...
Fria, congelo tudo à minha volta apenas com o olhar, porém deixei-me também congelar...
Perdi o coração... A minha alma afogou-se em lágrimas que não ouso demonstrar, em sentimentos que deixei de sentir... E nada de mim sobrou, a não ser o meu corpo que apenas aguenta o peso do meu peito.
Podiam espetar-me uma faca que nada sentiria...podiam dar-me um beijo e apenas sentiria vontade de o ter sentido... Acho que morri.
Talvez a morte não seja problema...talvez seja solução...
Gostaria de ficar num sono tão profundo que os meus sonhos seriam a minha realidade...
Talvez esteja apenas adormecida, porém tenho medo que este sono dure mais do que a vida...ou do que a morte...
P.S- Sei que não tenho escrito ultimamente mas não tenho podido dedicar-me ao blog como gostaria...Aqui fica um pedido de desculpas para todos aqueles que me visitam...=)
posted by sara 22:59 -
Quarta-feira, Abril 14, 2004
Nem sempre por trás de um sorriso está a alegria...
Diante de mim está uma pequena sala... Numa extremidade, encontra-se uma porta, com uma pequena lágrima impressa e na outra extremidade está outra mas com um sorriso...
Aproximo-me cautelosamente da porta e antes de rodar o puxador dourado observo o sorriso apenas a centímetros de distância...Abro-a calmamente...
Inapta de qualquer movimento deixo uma lágrima cair tépida sobre o meu reflexo que se encontrava sob mim...
Abri a porta errada, podendo abrir a certa... agora não posso fecha-la, pois ela fechou-se comigo lá dentro.
Estou presa entre paredes que vão encolhendo a cada dia que passa...a cada suspiro que solto...
E hoje elas aproximaram-se mais um bocadinho...e eu nada posso fazer...
Só me resta aguardar entre as paredes até que um dia elas finalmente se encontrem...
posted by sara 00:33 -
Sábado, Abril 10, 2004
Sonho em forma de estrela...
Olhei distraidamente através do vidro que me impedia de tocar o céu e observei atentamente o relógio escutando o seu despreocupado “tic-tac”, que me relembrava o agora habitual atraso da lua...
Aguardei que o sol recolhesse os seus calorosos raios, para que juntamente comigo, as estrelas pudessem admirar a sua majestosa princesa.
Num mero devaneio, aconcheguei-me entre as estrelas procurando entre elas os meus sonhos perdidos em pesadelos, porém a beleza da noite era como um afrodisíaco que me consumia em pequenos tragos de prazer...
A noite roubara os sonhos que outrora me resplandeciam durante o sono...
Afastei-me das estrelas com frieza observando agora melhor o céu... Nele havia uma nova estrela...ou um novo sonho...
posted by sara 12:26 -
Terça-feira, Abril 06, 2004
Enigma...
Porque te escondes?!
Porque foges de mim,
Na volúpia da noite...?
Porque teimas em ser um enigma
Que desejo desvendar...
Porque me escorregas das mãos
Sempre que te tento alcançar?!
Porque és tudo e eu nada...?
Como posso pelo amor estar apaixonada.?!!
posted by sara 20:22 -
Quinta-feira, Abril 01, 2004
Lágrima...
Vazia...sem rumo...
Assim me encontro
Nesta vida que não me pertence
Minha alma desvanece-se como fumo
Enquanto aos poucos a tristeza me vence...
Choro em silêncio
Aquilo que não ouso demonstrar
Porém rapidamente me canso
Das lágrimas só para mim guardar...
Embora forte pareça
Não mais as consigo segurar
Então serenamente as deixo
Pela confusa face rolar...
Agarro numa cuidadosamente
E espero vê-la secar
Contudo um suspiro a afasta...
Para longe... devagar...
posted by sara 22:41 -
Segunda-feira, Março 29, 2004
Anoitecer do dia...
Em ti me escondo...Na tua dúbia solidão...
Indolente procuro em ti
A luz que escondes na escuridão.
Vasculho entre as estrelas
A lua adormecida
Porém encontro o sol
E vejo-me então perdida...
A noite apoderou-se do dia
Tirando-lhe a luz que outrora luzia
O dia ás trevas se rendeu
Pedindo apenas em troca
O sol que um dia foi seu...
A vida deixou de fazer sentido.
O mundo à escuridão se rendeu...
Pois agora o tempo estava perdido,
Mundo esse que um dia foi meu...
posted by sara 20:39 -
Quarta-feira, Março 24, 2004
O meu mundo... (5º parte)
De olhos semicerrados evitava o crepúsculo da madrugada que teimava em ferir-me o olhar. Ainda ensonada, apaguei a luz do pequeno candeeiro e olhei para as folhas de papel que continuavam banhadas de um insípido branco, o que só as tornava ainda mais vazias... A solitária caneta encontrava-se desfalecida sobre a folha rabiscada. Eu adormecera..!
Esfreguei rudemente os olhos e com a cabeça apoiada numa mão, relembrava o sonho que tivera... Nele tudo me era familiar... A historia daquela rapariga era-me vulgar... Eu era a rapariga...e aquela era a minha história...!
A história do meu primeiro passo... O meu primeiro passo para a vida...para a realidade...
Um sorriso sincero invadiu-me o rosto. Se por vezes a realidade se torna sonho, então talvez os sonhos também se tornem realidade...
Fim!
posted by sara 22:17 -
Segunda-feira, Março 22, 2004
O meu mundo... (4º parte)
O mundo continuava a girar, assim como os anos continuavam a passar e tal como os anos, as pessoas também foram mudando e o conceito de amizade não foi excepção.
Ela foi-se tornando demasiado exigente com as pessoas, consigo própria, com o mundo... O que a levou novamente a criar a sua própria vida e a fechar-se num sonho.
Farta de sonhar e de viver numa mentira, decidiu regressar à realidade, e esta não a agradou por inteiro. Desiludiu-a saber que não comandava a sua vida, que não decidia o seu futuro, desiludiu-a saber que já não era a mesma.
Ela esquecera-se do mundo, e em troca, o mundo esquecera-se dela. Sentia-se insegura e desprotegida, por isso guardou a sua vida em banais folhas de papel, onde nelas estavam derramados todos os seus medos e desabafos. O seu diário era a chave para a vida que escondia do mundo. Porém um dia o diário chegou ao fim...deu-se o derradeiro ponto final, tinha de começar um novo capítulo, uma nova vida...
Começou então, a enfrentar os problemas de frente, sem se refugiar numa vida pérfida...numa vida imaginária...
Finalmente, acordei para a realidade...!
posted by sara 20:00 -
Sexta-feira, Março 19, 2004
O meu mundo... (3º parte)
Subitamente parei de escrever. Pousei suavemente a caneta fatigada sobre a promíscua secretaria e juntei as inúmeras folhas metodicamente. Aproximei o pequeno candeeiro conduzindo a sua pálida luz em direcção ao amontoado de folhas e esfreguei docemente os olhos, que tentavam conturbar-me a alma.
Suspirei sobre as dilacerantes folhas…suspirei sobre o meu passado…
Calmamente comecei a ler a história que escrevera.
Ela falava de uma criança que vivia no seu pequeno mundo, protegido por ilusões e fantasia. Ela vivia serenamente dentro de um sonho e sonhava com a realidade.
Tristeza era uma palavra que desconhecia, e alegria apenas algo comum…
Tudo era perfeito…tudo, não passava de um mero devaneio...
Com o passar dos anos o seu mundo foi-se tornando demasiado pequeno e ela teve de se despedir da vida imaginária que criara. Tiraram-lhe o pedaço de mundo que construíra e agora nada podia fazer para recuperá-lo, pois aos poucos ele desaparecera.
Teve de começar a encarar a realidade que lhe era desconhecida e descobrir que o mundo não era tão perfeito como imaginara. Aos poucos foi-se habituando ao mundo real, e agora que o conhecia melhor, nem o achava tão mau. Pois neste mundo havia uma coisa que no outro não possuía...Amigos.
posted by sara 22:18 -
Terça-feira, Março 16, 2004
O meu mundo... (2º parte)
Fechei com suavidade os olhos e depois de um profundo suspiro apoiei entre mãos a cabeça ensonada.
Observei durante escassos segundos a folha, a caneta, a vela agora apagada. Procurei-te desesperadamente… Não te conseguia encontrar. Tinha tudo para começar o meu trabalho, mas a tua presença era indispensável.
Peguei na caneta colocando-a na vertical, enquanto a mesma deslizava agora sobre a folha dando-lhe assim um pouco mais de cor, de vida…Afinal apareceste!
Inúmeras palavras inundavam agora as folhas dispersas em cima da minha secretária, enquanto a caneta continuava a dançar à volta das palavras num ritmo ofegante.
A inspiração tinha-me açulado de tal maneira, que todos os meus pensamentos, recordações e sentimentos ocupavam agora um lugar fixo e importante na imensidão que se tornara aquela folha.Folha essa que representava a minha onírica vida, onde as palavras que nela boiavam significavam alguns importantes acontecimentos de um passado recente.
A tibiez daquele tétrico quarto só tornava o ar ainda mais pesado e irrespirável, e parecia aumentar à medida que ia escrevendo.
Aquela dúbia folha tornara-se um portal onde as palavras se convertiam em ilusões, pensamentos, sonhos…e assim reciprocamente.
Estava prisioneira do passado, das recordações que embarcava. Desisti de tentar escapar… Decidi encará-lo.
posted by sara 20:31 -
Domingo, Março 14, 2004
O meu mundo... (1º parte)
Pardacentas memórias invadem-me o pensamento, tentando alcançar o coração, que dengoso batia alojado comodamente no meu peito.
Semicerrei os olhos que teimavam em fechar, enquanto recordações antigas esvoaçavam na minha mente.
Abri rapidamente os olhos que acompanhavam o mesmo compasso, à medida que abriam e fechavam vezes sem conta, durante um olhar e um sorriso.
A luz trémula teimava em cativar a minha atenção, enquanto o seu aroma adocicado me chamava num sussurro. Recusei-me a olhá-la fixamente…
Com um só gesto e um simples suspiro fiz a sua luz desvanecer-se entre a escuridão.
Aquele plúmbeo quarto obrigou-me a acender a luz do pequeno candeeiro, que se encontrava adormecido.
Agarrei num pequeno monte de folhas e procurei indolente, uma caneta que escrevesse por mais de dez segundos sem que a sua tinta desaparecesse sorrateiramente. Peguei com algum cuidado numa que se encontrava em bom estado e rabisquei em inspirais numa pequena ponta da folha… Esta servia.
posted by sara 13:23 -
Terça-feira, Março 09, 2004
Sonho
Sonho acordada
Sonhando com um sonho…
Vivo uma vida impossível
Imaginando um futuro risonho.
Sonho que as pessoas têm coração
E a noite sol…
Quem sou então?!
Talvez um sonho…
posted by sara 21:12 -
Sábado, Março 06, 2004
Sono
Sem ti, o que seria dos meus sonhos
Das minhas noites de ilusão…
A noite deixaria de ser escura
Para se afundar na própria escuridão.
Sem ti, a quem confiaria os meus segredos
E acariciava antes de deitar,
A quem contaria os medos
Que me fazem da noite acordar?
Sem ti, iria suportar a vida acordada
Sem nunca dela me poder afastar
Que seria de mim sem a minha almofada,
Não conseguiria à noite descansar…
posted by sara 00:50 -
Terça-feira, Março 02, 2004
Importância...
O mundo gira por girar
Enquanto vivo por viver
O mundo acaba se ele parar
E deixar de me pertencer.
Preciso de ti para vida ter
Pois sem ti ninguém existia então
São muitas as vezes que me esqueço
De como importante é o coração…
P.S- O tempo é escasso
Assim como a inspiração
Espero que desculpem
Esta falta de imaginação!!
posted by sara 20:58 -
Sábado, Fevereiro 28, 2004
Chuva
O meu dolente corpo teimava em seguir os meus passos, que injustamente se passeavam por cima do passeio esburacado.
De olhos semicerrados, evitava os sorrateiros raios de sol, que espreitavam por cima de duas pálidas e majestosas nuvens que lutavam entre si na tentativa de ocultar o pouco azul que restava no céu.
Apressei-me enquanto observava o dúbio tapete cinza que se formara em poucos segundos…
Tentava em vão escapar dele…mas o opulento e fúnebre céu continuava a seguir-me dissimuladamente…
Desisti…cansei-me de tentar evitá-lo…
Ainda relutante…abri o guarda-chuva.
posted by sara 20:19 -
Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004
Inverso...
Não te amo mais…!
Estarei a mentir a mim mesma se disser que
Te quero como sempre quis
Tenho a certeza que
Nada foi em vão.
Dentro de mim sinto que
Já não significas nada.
Jamais poderei dizer que
Alimento um grande amor,
Pois sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E nunca mais usarei a frase
EU AMO-TE…
Sinto muito, mas tenho de dizer a verdade
É tarde demais…
P.S- O texto é para ser lido de baixo para cima...!
posted by sara 22:11 -
Sábado, Fevereiro 21, 2004
Sala de espera
O meu olhar era seguido por um insípido branco, que era apenas contrastado por um branco ainda mais pálido dos rostos que me rodeavam.
Cabisbaixa tentei ignorar tudo o que me rodeava, enquanto concentrava toda a minha atenção na voz estridente que vinha de uma pequena coluna.
Ao dar uma breve vista de olhos à quantidade de pessoas que se tinham acumulado na sala, reparei na expressão dos seus rostos, sem esperança no olhar agora que envelhecem a cada dia que passa. Sem saberem que só envelhecem de verdade quando deixam de ter esperança…
Reparei também, que agora se observavam uns aos outros de cima abaixo sem se aperceberem que só têm direito de o fazer se for para os ajudar a levantar.
A voz estridente voltou a soar na sala captando todas as atenções…desta vez ouviu-se o meu nome.
posted by sara 20:16 -
Terça-feira, Fevereiro 17, 2004
Indolência
Estavas radiante… sobressaías entre a escuridão que profundamente me prendia.
Dengosamente, observei a tua indolência e o teu cheiro adocicado.
Ao tocar-te senti que não querias que te incomodasse.
O teu reflexo desaparecia nos meus olhos com a rapidez com que a tua luz se desvanecia entre um olhar e um sorriso.
O meu profundo suspiro fez o teu aroma elevar-se e desaparecer, misturando-se com a minha respiração.
Cuidadosamente voltei a acender a vela.
posted by sara 16:24 -
Sábado, Fevereiro 14, 2004
Sentir...
Senti que sinto o que não devia sentir…
Sentimento esse sem sentido
Sentido que desconheço sentir.
Sentir sem sentido é uma sensação que sinto
Sentido que não encontro no sentimento
Sentimento que não vejo…sinto.
posted by sara 15:14 -
Domingo, Fevereiro 08, 2004
Divagação
Divago num mundo de fantasia,
Ignorando quem nele habita.
Vivo por viver, aguardando a alegria,
Apenas desejando que seja infinita.
Gélidos suspiros embarcam dentro de mim
Aguardando um porto seguro.
Ninguém os encontra por fim,
Divagando, divago um sentimento puro
Obrigando-o por fim a voltar novamente para junto de mim…
P.S- Se repararem na vertical encontra-se uma palavra. Conseguem descobrir qual?!
posted by sara 19:33 -
Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004
Incerteza
O silêncio apoderou-se da sala com um só gesto teu. Olhás-te sorrateiramente à tua volta... Em busca de alguém sem saberes ao certo quem procuravas.
Eu observava os outros pelo canto do olho sem que percebesses. Cabisbaixos eles imitavam os meus movimentos.
Olháste-me com frieza e despreocupação. Baixei rapidamente os olhos e encarei com ele, à espera de respostas ás perguntas que me fazia.
Respondi-lhe com alguma incerteza e cuidado. Olhei-o de cima a baixo… Suspirei.
A professora recolheu os testes.
posted by sara 18:41 -
Sábado, Janeiro 31, 2004
Amor...
Como o Dia dos Namorados está próximo (como podemos ver pela quantidade de corações coloridos nas montras das lojas), aqui deixo uma frase de William Shakespeare, em “Romeu e Julieta”:
“O amor corre para o amor como os estudantes fogem dos livros; mas o amor afasta-se do amor com a tristeza com que se vai para a escola.”
posted by sara 20:19 -
Terça-feira, Janeiro 27, 2004
Sonho ou realidade?!
Respirei profundamente enquanto divagava entre pensamentos e sonhos.
Calmamente olhei através da janela agora embaciada. Escrevi infantilmente com o dedo o meu nome e com um gesto apaguei-o rapidamente.
Lá fora, as árvores dançavam a um ritmo surpreendente, acompanhadas pela música suave do vento e das desajeitadas gotas de chuva que caíam sobre as chapas dos carros ainda adormecidos.
Procurei por entre as árvores agitadas os pássaros, na esperança de ouvir o seu despreocupado chilrear. Não consegui ouvir nada que se parecesse com isso.
Abri rapidamente a janela, e logo a brisa omnipotente atravessou-me brusca e cruelmente, causando-me um breve arrepio, que me gelou a alma.
Olhei com desprezo o céu cinzento, culpando-o pelo arrepio, pelo súbito desaparecimento do chilrear dos pássaros e até mesmo pelo som agora irritante da chuva. Aquele mundo que estava diante de mim era triste e uma desilusão para quem o olhasse. Desesperadamente fechei a janela… Acordei.
Suspirei tranquila…Não passara de um sonho.
Ou será que não…?
posted by sara 21:48 -
Sábado, Janeiro 24, 2004
Um sorriso...
Sentada comodamente na minha cama observava o engarrafamento de gotas de água que caíam do céu colidindo com o chão e dividindo-se assim em menores partículas.
Sentia-me bem por não estar lá fora…
De seguida o meu olhar cruzou-se com o de outra pessoa que agora me observava atentamente, sem pestanejar … Olhava-me com naturalidade, sem desviar o olhar que me penetrava a alma…
Lentamente, deixei-me cair sobre os cobertores. Fechei os olhos com suavidade, mas logo de seguida voltei a abri-los. Espreitei sorrateiramente para poder confirmar se aquela pessoa me continuava a observar…
Sorri ironicamente, e o meu reflexo retribuiu-me o sorriso.
posted by sara 19:31 -
Quarta-feira, Janeiro 21, 2004
O palco...
O frio percorria-me o corpo, causando-me arrepios. Arrepios esses não de frio mas sim de inquietação e nervosismo. Sentia-me observada… Olhos desconhecidos pousavam sobre mim, atentos a todos os meus passos e movimentos. Tentei em vão ignora-los.
O som ensurdecedor da música impedia-me de ouvir eventuais comentários que pudessem fazer a meio respeito. Juntava agora a curiosidade à lista de inúmeros sentimentos que estava a sentir.
Após demorados minutos aguardados ansiosamente, a música parou, e eu juntamente com ela.
Fez-se silêncio, mas por apenas escassos segundos, pois rapidamente ele foi quebrado pelo entusiasmo do público que agora aplaudia à medida em que as luzes do palco se voltavam para nós.
Curvei-me ligeiramente para a frente, agradecendo. Um sorriso tímido e sincero invadiu-me o rosto.
Calmamente a cortina fechou-se.
posted by sara 16:41 -
Domingo, Janeiro 18, 2004
Vazio
Imensos riscos e manchas de carvão inundavam a folha que outrora já tinha sido bem mais branca.
Passei novamente o lápis na tentativa de formar traços mais visíveis, coisa que com um simples gesto foi possível.
Com a ajuda do meu dedo indicador, ia espalhando a cor cinzenta que preenchia o meu espírito, e que agora tomava forma na minha folha. Sentia-me vazia, tão vazia como aquela folha já fora...
Continuei a desenhar até que a mão me doesse... Olhei satisfeita para a folha. Finalmente o vazio tinha sido preenchido.
Ou talvez não...
posted by sara 14:17 -
Quarta-feira, Janeiro 14, 2004
Felicidade
Felicidade, é um sentimento
Que não se compra, nem se vende.
Não é uma coisa que se ganha ,
Mas sim uma coisa que se sente.
Felicidade é um sentimento indefinido.
Impóssivel de perceber.
É um sentimento difícil de alcançar
E indespensável para viver.
Há quem compare a felicidade
Ao amor,à amizade e à riqueza.
Quem faz essas comparações
É porque não sabe o que é a verdadeira beleza.
A felicidade não se compara a nada
É um sentimento especial
É diferente de todos os outros
Como ele não há igual...
posted by sara 18:43 -
Domingo, Janeiro 11, 2004
Agradecimento
Um manto negro cobria a noite escura.
Nela reinava a calma,
Pois sentia-se porém segura...
Minutos depois a calma desaparecia
Dando lugar à noite escura e fria.
Tristesa e desespero invadiram-lhe o coração
Nada podia fazer... Sentiu-se inútil então.
Todo o seu trabalho tinha sido derrotado
Por uma tecla de aspecto inofensivo.
Sentiu uma enorme vontade de chorar
Sentimento esse à muito adormecido...
Antes de derramar alguma lágrima
Lembrou-se de alguém que poderia ajudar
Alguém em que confiava
E que sabia que iria pelo menos tentar...
Logo depois um sorriso sincero
Invadiu o meu rosto sem pedir autorização.
E a calma voltou a reinar
Outra vez no meu coração...
A essa pessoa eu queria agradecer mais uma vez, e mostrar-lhe através deste post o quanto a sua ajuda significou para mim...
posted by sara 17:55 -
Sexta-feira, Janeiro 09, 2004
Geografia
Folhas a abarrotar de letras enchiam a minha secretária. Procurei em vão o lápis perdido no meio de toda aquela confusão, derrotada acabei por pegar em outro.
Olhei de testa franzida para aquelas palavras que formavam frases naqueles extensos textos de geografia.
Frases como, "Para que é que eu preciso de saber isto?!" e "Contar carneiros dá-me menos sono...!", enchiam o meu pensamento.
Esfreguei os meus grandes olhos ensonados, tinha de me concentrar.
Apoeiei a cabeça entre as mãos e depois de um longo suspiro, lá fiz um esforço para tentar descobrir alguma coisa naquelas folhas que cativasse a minha atenção.
Depois de ler bem tudo com a máxima atenção possível, cheguei à conclusão que a culpa não é da geografia mas sim das aulas da minha professora...
P.S- Já encontrei o meu lápis...!
posted by sara 20:09 -
Terça-feira, Janeiro 06, 2004
Se eu te tivesse...
Tinha um Oceano numa gota...
Tinha uma constelação numa estrela...
Tinha um deserto num grão de areia...
Tinha um arco-íris numa cor...
Tinha a esperança num olhar...
Tinha o amor num beijo...
Tinha a primavera numa flor...
Tinha um sonho numa palavra...
Se eu te tivesse, tinha tudo, porque te tinha a ti...
posted by sara 19:21 -
Domingo, Janeiro 04, 2004
Inveja...
Pequenos focos de luz inundavam o céu, dando vida á noite escura.
Entre um sorriso e um suspiro, pensei, como podiam elas estar tão longe e no entanto ao alcance dos nossos olhos...
Voltei a sorrir. Era impressionante como eu arranjava sempre maneira de criticar o Universo, que a meu ver é tão perfeito e no entanto cheio de imperfeições.
Fixei os olhos na estrela que me parecera mais brilhante, achei-a perfeita. Era tão parecida com as outras porém distinguia-se delas todas. Tive inveja dessa estrela...
Também eu um dia gostaria que fixassem os olhos em mim , e que reparassem que também eu tenho luz própria, que sou única...
posted by sara 16:05 -
Sexta-feira, Janeiro 02, 2004
2004...
A noite permanecia calma. Sentada ao parapeito da janela observava o céu escuro coberto de nuvens. Não precisava de ser muito inteligente para perceber que no dia seguinte iria chover.
Sentia-me só,embora estivesse rodeada de pessoas. Todas elas me eram familiares, falavam alto, quase gritavam, embora não fosse necessário; no entanto as suas vozes apenas sussurravam na minha cabeça, eram a minha familia.
A televisão encontrava-se ligada, olhei para ela, números coloridos enchiam o écran, mas no mesmo instante em que apareciam, desapareciam dando lugar a outros. Era a contagem decrescente para o novo ano.
Voltei a olhar para a solidão da noite, procurei a lua naquele imenso céu diante dos meus olhos, não a encontrei. Desviei-os desiludida.
A minha família brindava a chegada de 2004, olhei novamente para o céu escuro, que para minha admiração desaparecera. No seu lugar encontrava-se um céu iluminado com as mais coloridas cores, que iam variando ao som de pequenos estalinhos.
O novo ano chegara...
posted by sara 08:25 -
Quarta-feira, Dezembro 31, 2003
Como uma nuvem...
Por vezes bloqueamos, ficamos sem saber o que pensar, o que dizer, o que escrever...
Temos a sensação que não conseguimos pensar em mais nada sem ser, que não conseguimos.
Sentimo-nos vazios, transparentes, sem rumo, deixando que o vento nos leve numa outra direcção. Sentimo-nos insignificantes no meio de tantos outros, vagueando num céu infinito, longe de tudo e de todos. Sentimo-nos sem inspiração; sentimo-nos como uma nuvem...mas não nas nuvens.
Para todos aqueles que por vezes se sentem "nuvens" desejo um bom ano 2004!
posted by sara 07:30 -
Domingo, Dezembro 28, 2003
Uma carta ao Pai Natal...
Mê querido Pá Natal:
Tá tudo bem cotigo?Cumigo as cousas bão andando.
Aprobêto pra t'agradecer as prendas d'ano passado.Mas sabes,ê cá acho que ná tinhas os óculos postos quando leste a minha carta,porque ê tinha-te pedido um carro telecomandado e em bês disso deste-me um jarro amarelado;ê pedi-te um coputador e tu mandaste-me uma côbe-flor;ê tinha-te pedidouns sapatos embernizados e tu mandaste-me uns chinelos esfarrapados;ê tambê pedi-te uma bicicreta e tu mandaste-me uma...cueca.
Bêm,dêxemos o passado pra lá, mas ná te esqueças, desta bêz põe os óculos.
Este ano ê fui um bom moçoilo.Sempre que a minha mainzinha precisa de ajuda, digo logo ao mê irmão más nobo pra ir ajudar, nas aulas tõ sempre caladinho...virado pra parede, consegui que o m~e professor ficasse muto religioso,agora sempre que bê o meu teste diz:"Ai mê Deus!" e ultimamente ando muito caridoso,porque a minha mãe tá sempre a dezer-me:"Pedrinho o trabalho só dá saúde!" e ê respondo-lhe sempre "Tens razam,atam que trabalhem os doentes",como bês este ano portê-me bem.
E prontos, foi isto que aconteceu este ano,agora bou-te dezer o que gostaba que me desses.Ê queria (se nâ custar muto):
-uma peitation (acho qué assim que se escrebe)
-o coputador que nâ me deste o ano passado
-mais dinhêro pró mê mealhêro (o mê tá sempre a dezapracer!)
-paz pró mundo todo (ná sê proqué que a minha mãe mobriga sempre a pôr isto!)
Bêm e acho que tá tudo.Espero que ná te esqueças de nada!
Cumprimentos a mãe Natal, e mutos bêjos pra si do seu sempre amigo e cliente. Muto obrigado!
P.S-s'calhar é melhor tabê mandares-me um cerebro nobo. A minha mãe tá sempre a dêzer c'o meu já desapraceu á muto tempo.
posted by sara 10:24 -
O que é a vida...
É como um poço fundo,
que não dura para sempre.
É como um pássaro perdido no mundo,
perdido no passado, no futuro e no presente.
É como uma gota de chuva
que cai sem direcção.
É como uma pequena estrela
esquecida no Universo
mas que pertence a uma constelação.
É como um livro
que alguém um dia começou,
e se esqueceu de acabar...
É como um barco sem rumo à deriva no mar.
Muitas pessoas nunca tinham pensado nisto,
para outras, isto nem é preocupação,
mas se parassemos e pensássemos
talvez chegássemos a alguma conclusão...
A vida não é para perceber,
é pergunta sem resposta alguma.
Para uns tem muita importância,
para outros nenhuma...
posted by sara 08:21 -